terça-feira, 2 de maio de 2017

Das procuras



O que procuras? A felicidade?
Porque procuras em todos
Os cantos, becos e ruas,
E faces e corpos, mas que tolice,
Revirar o mundo, se perdestes
Os óculos, olhos da alma.
E vai se perdendo do amor e da
Da vida entre procuras,
Idealizando a vida dos sonhos,
Entre corpos vazios de calor,
Recobertos por um amor superficial
E passageiro, que te fazem o
Mais prazeroso dos parques de
Diversões e te usam como o
Mais doce e sutil recreio entre
Madrugadas frias. Não exponha
Teu coração a nu, ao que quer
Te deixar desnuda com palavras
Ilusórias, nem ao que quer apenas
Alugar-lhe e usar o corpo sem a
Intenção de amar-te.

 Leandro M. Cortes

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Por onde você anda?



Estou aqui! Não troquei um bom passeio, nem uma boa diversão pelo silêncio que é estar em casa, nem deixei de frequentar, nem bani as baladinhas povoadas no sábado da minha vida
Só fui deixando de ser, deixando de procurar, deixando de achar que a felicidade está em todos os cantos e lugares e becos e copos nos finais de semana,
E não abandonei o mundo, só estou vivendo um pouco mais o meu mundinho com calma sem o desespero de encontrar, esbarrar com alguém para dizer que é meu,
Já não sou mais para todas as bocas, nem sou para todos os braços e abraços e hormônios e desejos e vontades,
Agora sou minha, um pouco mais minha, entende? Não quero ter a pretensão de dar sempre, dar é dar, quero amor
Fazer amor, ter amor, viver o amor, respirar amor. Dar é dar, é vazio é superficial, é cafona, quero dengo, aconchego, delicadeza, travessuras e doces. Dar é bom, na hora,
Depois vem aquele vazio, ressaca da noite passada. Não, eu não mudei, só descobri que o prazer não está
Em uma noite mal acabada, nem numa cantada que preenche momentaneamente as minhas carências e vontades,
Perder-se é bom de vez em quando, mas que azar o teu, eu me encontrei. Não, eu não mudei, só me permiti ver a vida
Com mais lucidez longe dessa embriaguez que é inundar o corpo com palavras bonitas e promessas vazias.
Cansei de gostar, não quero gostar por gostar. Gostar porque tem um lindo sorriso, gostar porque combinou com o meu estilo, ou a cor dos olhos com a camiseta,
Ou a cor das calças com o sapato, ou porque aquele penteado estava o máximo, ou porque aquela cantada era diferente de todas as outras
Quero amor sem pressa, quero um prazer que vá chegando aos poucos e que me faça cair em espasmos de alegria
E felicidade e que queira atravessar comigo esses dias terrivelmente chatos. A verdade é que acho que andei perdendo
Demais as aulas de química, porque essa mistura de bebidas sempre rende um olhar a mais, uma dança a mais, algumas risadas a mais e a volta é sempre vazia demais.
Não, eu não sumi. Continuo aqui folhando as páginas da minha vida imperfeita em busca de alguma coisa interessante que me traga essa tal felicidade duradoura,
Longe dessa ilusória e passageira embriaguez regada de ressacas de pessoas que não me despertam desse sono.
Preguiça de pessoas vazias, onde é que andam as pessoas interessantes?

Leandro M. Cortes